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By: smartgreen ligado: junho 09, 2016 In: Cidades Inteligentes Comments: 0

Achamos uma entrevista com Artur Polizel, especialista em softwares, revela as possibilidades de mercado para um mundo que em breve estará totalmente conectado.

Observa-se que a possibilidade de objetos conectados à Internet trocarem informações entre si e com pessoas tem potencialidade para gerar uma infinidade de oportunidades de negócios. As diversas experiências no mundo mostram que o futuro está na conectividade das “coisas” que, certamente, acontecerá muito em breve por meio da IoT (Internet of Things).

Dentre os paradigmas do conceito tecnológico, sabemos que a IoT possibilitará tecnologias mais inteligentes para os nossos lares e cidades –desde que o empreendedor entenda as ferramentas tecnológicas e enxergue um nicho de mercado, existirá também uma grande gama de negócios com capacidade para inovações muito mais específicas.

A DEV Tecnologia, por exemplo, é uma empresa brasileira que está presente no cenário da IoT, desenvolvendo soluções completas da Internet das Coisas e oferecendo desde infraestrutura até o monitoramento de soluções. Em entrevista exclusiva para o IoT Latin America, o diretor de software da empresa, Artur Polizel, analisa o estágio atual da tecnologia, as aplicações e o futuro da Internet das Coisas, passando pelas temáticas de cidades inteligentes e sustentabilidade.

IoT Latin America: Como a Internet das Coisas fará diferença em nosso cotidiano?

Artur Polizel: Acreditamos que os impactos da Internet das Coisas serão sentidos nas empresas e cidades primeiro, com processos mais eficientes e a análise de dados antes impossíveis de se obter facilmente. O impacto para o usuário final será de produtos e serviços melhores, taxas menores de água, luz, seguros, entre outros. Com a evolução dos produtos conectados, passaremos a ter informação baseada em contexto diretamente para o usuário final, como por exemplo informações de produtos em loja diretamente em seu celular, detalhes de consumo de água e luz da sua casa ou condomínio com dicas de economia personalizadas, informações de manutenção automatizadas em seu carro ou moto, até eventualmente carros que se dirigem sozinhos e tantas outras grandes possibilidades que são idealidades da IoT.

IoT Latin America: Quais os benefícios que os objetos IoT podem trazer para o usuário final?

Artur Polizel: Como mencionado acima, muitas das vantagens da IoT serão pouco visíveis a princípio para o usuário final. Haverá uma melhoria global nos serviços que já usamos hoje, e a adição de possibilidade que antes não tínhamos, como controle e automação de sua casa estando em qualquer lugar e informações mais específicas de produtos e serviços já utilizados. Eventualmente, com a conexão de mais e mais dispositivos, tarefas que antes tomavam muito tempo serão aceleradas ou eliminadas, e temas do dia a dia como pagamento, localização, segurança e saúde serão muito mais precisas e rápidas.

IoT Latin America: Com qual velocidade a Internet das Coisas está avançando no Brasil?

Artur Polizel: Estamos começando agora a trabalhar bastante em cima do tema, com startups, empresas e órgãos governamentais visualizando o potencial do conceito. Se comparados com os EUA e outros países da Europa, ainda estamos bastante atrás em tecnologia e ecossistema, mas estamos crescendo. O trabalho do Fórum Brasileiro de IoT e iniciativas como a da IoT Latin America, bem como de parcerias tanto do governo com empresas como do ecossistema daqui com outros países são provas que o interesse está cada vez mais forte em IoT no Brasil.

IoT Latin America: O que é preciso fazer para acelerar essa evolução tecnológica no país?

Artur Polizel: Existem ainda muitos entraves para a inovação de qualquer tipo no país, e IoT não é diferente. Além dos problemas tradicionais de demora em patentes e de importação de componentes, existe ainda pouco esforço de padronização no Brasil, no que diz respeito a IoT.

IoT Latin America: Quais oportunidades de negócios a IoT pode gerar nos próximos anos? Poderia elencar algumas delas para 2016?

Artur Polizel: Em breve será muito fácil e muito barato de acompanhar processos produtivos e de logística através de produtos conectados, o que deve abrir muitas portas para a automatização e otimização de processos antes manuais em todas as áreas de negócios. Outro tema que tem muito potencial de crescimento é a gestão de serviços como água, luz e iluminação pública em cidades, onde já temos alguns casos espalhados pelo país. Acreditamos que esses temas estarão entre os primeiros cases de sucesso da IoT no Brasil.

IoT Latin America: A Internet das Coisas tem movimentado grandes players mundiais, mas esse nicho de mercado também beneficiará pequenos e médios negócios?

Artur Polizel: Sim. IoT é um campo muito amplo, e envolve desde o desenvolvimento de sensores e hardware até a análise posterior dos dados obtidos. Será necessária a instalação e gestão de diversos tipos de dispositivos, e com toda uma nova gama de informações em mãos, muitos novos negócios serão possíveis unicamente através da análise dessas informações, abrindo espaço para empresas de todos os tamanhos.

IoT Latin America: Como a DEV Tecnologia está se preparando para oferecer conectividade inteligente a uma grande variedade de empresas?

Artur Polizel: Apresentamos ao mercado um serviço de design para o desenvolvimento de produtos conectados, customizados onde for necessário, e estamos trabalhando em uma linha de produtos conectados cujo objetivo é abrir um leque de possibilidades de medição e controle antes impossíveis por causa de preços muito elevados.

IoT Latin America: Recentemente, a DEV Tecnologia desenvolveu uma solução IoT para monitorar a qualidade d’água na Amazônia. Fale um pouco sobre esse produto e como ele pode ajudar o usuário final.

Artur Polizel: O ‘Mãe d’Água’, tecnologia que desenvolvemos junto com o projeto InfoAmazonia, é um exemplo de como o avanço da IoT vai resultar em ganhos para todo tipo de usuário final: populações de baixa renda na Amazônia tem problemas recorrentes com a qualidade de água, em regiões distantes da infraestrutura tradicional, tanto de água e eletricidade como de internet e conectividade. Os sensores que desenvolvemos utilizam a rede 2G ou 3G (quando possível) para informar os moradores sobre a qualidade da água em suas casas, e também concentram os dados para uma análise geral da qualidade da água em toda uma região.

IoT Latin America: De uma maneira geral, como a Internet das Coisas pode contribuir para as questões ambientais no Brasil?

Artur Polizel: Sensores como os usados no InfoAmazonia, e a medição de vários pontos da infraestrutura de eletricidade, água, esgoto e iluminação nas cidades inteligentes do futuro serão capazes de mostrar em tempo real problemas como vazamentos, gastos exagerados e regiões com interrupção de serviços, tornando as cidades mais eficientes no uso de recursos naturais. Problemas poderão ser detectados e solucionados antes de resultar em impactos sobre o ambiente ou as pessoas, e a análise avançada de dados que será possível pode ajudar o governo e as próprias pessoas a tomar decisões melhores sobre o ambiente – finaliza.

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Fonte: http://iotlatinamerica.com.br/

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